As aulas do professor Walter não são completas se a classe
não der pelo menos uma risadinha. A matéria em si não é muito engraçada, é
Cálculo IV. Só esse nome e esse número romano do lado – que expressa até onde
nós já avançamos – são o suficiente pra botar medo em muita gente, mas o
professor Walter consegue deixar tudo mais divertido com o seu jeito
descontraído de lidar com coisas tão sérias. Afinal, o Cálculo IV nem é tão
difícil assim se comparado aos anteriores. Antes, nós só trabalhávamos com uma
variável no tradicional plano XY. Agora, nós estamos trabalhando com duas
variáveis no espaço XYZ ou mais variáveis em dimensões inimagináveis. Mas a
parte dos cálculos não muda tanto assim.
O
professor começou a aula retomando o assunto da aula anterior, o diferencial
total. Ele desenhou um gráfico de uma função no espaço para ilustrar o
raciocínio da obtenção dos diferenciais dx,
dy e dz. Para x e y, é possível visualizar graficamente os incrementos
nos eixos, Δx
e Δy.
Mas para z, é necessário fazer alguns cálculos. Basicamente o mesmo
procedimento visto no Cálculo I, mas com outra variável. O diferencial dz será dado por:
Para
finalizar esse assunto, o professor propôs um exemplo numérico para compararmos
o valor de Δz com dz.
Depois, ele foi para a regra da cadeia. Um clássico do cálculo diferencial e
integral. Regrinha tal que tem um potencial destrutivo fatídico nas provas se
não for bem aprendida. Ele escreveu a definição no quadro e a fórmula
generalizada:
Enquanto escrevia o exemplo numérico, as
risadinhas e os comentários começaram a surgir. De forma discreta, é claro, mas
o suficiente perceptível para incomodar o Walter. Ele não sabia se olhava pra
gente ou pro quadro, não sabia se ria junto ou se ficava sério, não sabia se
perguntava ou se ficava quieto... Até que um aluno perguntou: “Professor, e
quando é que você vai ensinar essa REGRA DA CADEIRA aí pra gente?”. O pobre
professor não tinha se dado por conta que lá no meio da definição ele escreveu
cadeira ao invés de cadeia. E é lógico que nós não perdoamos. Felizmente ele
contornou a situação com muito bom humor, e eventualmente trocava as palavras
propositalmente. Após passar dois exemplos numéricos da regra da cadeira, ele encerrou o assunto.
Por
fim, o professor Walter tratou de derivadas direcionais. Para isso, ele teve
que fazer uma breve revisão de vetores porque essas derivadas não cortam a
superfície da função em eixos paralelos aos X e Y, mas em eixos que podem ser
comparados a vetores. Pela definição, uma derivada direcional é:
O mais engraçado é que, embora essa aula seja de cálculo, o que a gente mais vê no quadro são letras latinas e gregas, mas faz parte, são as variáveis. Para
finalizar a aula, ele criou um exemplo numérico que deu tanto trabalho que até
ele ficou cansado. Saiu maior que a encomenda. Me deu preguiça de copiar, achei
melhor pedir pro Thiago me passar depois uma foto do exercício resolvido junto
com essa foto aqui:
No final da aula, quando o professor terminou o exercício, ele comentou que há uma forma mais simples, um atalho, para encontrar uma derivada direcional. Mas fica pra semana seguinte. Como será que é esse atalho? Será que é pela regra da cadeira?




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