domingo, 16 de outubro de 2011

Uma Experiência Inesperada


Certo dia, depois de passar algumas horas fazendo levantamentos topográficos no UNASP, fui surpreendido ao voltar para casa e encontrar com o carteiro em frente ao portão. Era uma sexta-feira ensolarada o dia em que Jaime me trouxe uma das correspondências mais importantes que já recebi: a resposta da University of London, uma universidade em Londres, na qual eu havia me inscrito num programa de bolsas de estudo na área de Tecnologia das Mega Construções.


A carta dizia:

“Dear Thiago, congratulations! Your request to join the Mega Structures’s Technology classes was approved. We suggest you to contact us as soon as possible to prevent potential concerns. The University of London is waiting for you.
Sincerely, Kenni Whisp.”

Fiquei estasiado quando soube que fui aceito e, no mesmo instante, comecei os preparativos para a viagem.

Seis meses depois, já havia terminado o curso de Inglês Intensivo Aplicado à Engenharia e pude dar início ao curso de TMC. Durante esse periodo inicial, um dos professores levou a turma para fazer visitas a grandes monumentos históricos como a Torre de Londres, o Palácio de Westminster, a Abadia de Westminster, entre outros. O que me deixou mais interessado foi o Big Ben, o relógio mais famoso do mundo. No dia em que fomos visita-lo, o Sr. Scamander disse que, assim como a Torre de Pisa, o Big Ben estava se entortando, porém numa escala bem menor.
Fiquei muito curioso e fui perguntar ao professor qual o motivo de tal acontecimento. A resposta que recebi foi:

- Não sabemos ainda, ao certo, o que vem causando essa inclinação, mas um grupo da University of London, supervisionado por mim, foi encarregado de fazer as investigações. Você não tem interesse em juntar-se a nós?

Fiquei sem palavras. Mal haviam começado as aulas e o professor estava dando uma oportunidade dessas a um aluno estrangeiro e novato. Sem acreditar no que acabara de acontecer, respondi que adoraria participar e ele me passou os horários dos próximos encontros.

Poucos dias depois, observando tudo o que acontecia ao redor do relógio e a todos os intempéries dos quais ele foi submetido nos ultimos anos, conseguimos listar algumas possíveis causas da inclinação de 0,26o NO que ele sofreu, tais como: um pequeno equívoco no planejamento da fundação do patrimônio britânico, instalado sobre o solo argiloso das margens do rio Tâmisa; e um pequeno desalinhamento encontrado na construção executada em 1858 e que, certamente, não foi planejada pensando em possíveis obras no subsolo, como a expansão do metrô. Relacionando-as, chegamos à conclusão de que ambas contribuiram um pouco para que o edifício apresentasse essa deformação.

Apesar de tudo, não existe urgência em imobilizar a torre do relógio se nada de extraordinário, que acentue muito essa inclinação, acontecer. Caso contrário, a melhor solução encontrada para estagnar o monumento seria uma obra de fortificação da base, no mesmo estilo das obras adotadas na Torre de Pisa que estabilizaram a estrutura com uma inclinação de 4 metros.

A oportunidade de acompanhar essa investigação tão de perto é, com certeza, para poucos, e vou me lembrar para sempre com muito orgulho de ter feito parte de uma equipe tão qualificada.

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